Mensagem enviada ao Jornal Nacional, após reportagem sobre Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo

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Ao Editor Chefe do Jornal Nacional – Rede Globo

 

É com desconforto que ouvi a notícia sobre trabalho escravo no JORNAL NACIONAL de 29 de janeiro de 2021.

A atuação do Ministério Público tem que ser louvada, mas os falados outros órgãos não podem ser esquecidos.  A força tarefa mencionada, realizada esta semana, foi planejada e desenvolvida pela SUBSECRETARIA DE INSPEÇÃO DO TRABALHO, ME, pela Defensoria Pública da União, Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal e Interpol. Essa força tarefa, até quinta feira (28/01), resgatou 112 trabalhadores, entre eles 2 trabalhadores domésticos e 2 trabalhadores com deficiência.

Essa força tarefa foi organizada como forma de homenagear as vítimas da Chacina de Unaí (*), o Dia do Auditor Fiscal do Trabalho, e o Dia de Combate ao Trabalho Escravo

Os servidores federais que tem em sua competência adentrar aos ambientes de trabalho sem mandado judicial são os Auditores-Fiscais do Trabalho. O resgate de Madalena Gordiano, que foi divulgado, pelo Fantástico, foi feito pelo Auditor Fiscal do Trabalho Humberto Camasmie, que atua em Patos de Minas-MG.

Os Auditores-Fiscais do Trabalho já resgataram, desde 1995, mais de 55 mil pessoas de situação análoga à de escravo no País, a maioria na zona rural. Em 2019, 14 pessoas foram resgatadas do trabalho escravo doméstico – que é mais difícil de ser identificado.

É importante resgatar essa informação, pois a Auditoria Fiscal do Trabalho é uma carreira típica de Estado, que tem visto, nos últimos governos, uma acentuada redução de seu quadro o que pode ser traduzido em redução da proteção de trabalhadores que, explorados, protagonizam essas histórias perversas.

 

Atenciosamente,

Ana Palmira Arruda Camargo

Presidente da Delegacia Sindical no Estado de São Paulo do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho.

 

(*) Crime ocorrido em 28/01/2004 em que quatro servidores do Ministério do Trabalho (o motorista AILTON PEREIRA DE OLIVEIRA, e os auditores fiscais do trabalho ERASTÓTENES DE ALMEIDA GONÇALVES, JOÃO BATISTA SOARES LAGE E NELSON JOSÉ DA SILVA, foram executados, a mando de ricos fazendeiros, que condenados, ainda não cumpriram as penas impostas.

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