sexta-feira, 17 abril, 2026
Home2026Em jornada de DH, SINAIT cobra convocação do cadastro de reserva do...

Em jornada de DH, SINAIT cobra convocação do cadastro de reserva do CPNU 2024 para Auditores Fiscais do Trabalho

O SINAIT cobrou nesta quinta-feira, 9 de abril, a convocação imediata e integral dos aprovados no cadastro de reserva do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) de 2024 para o cargo de Auditor Fiscal do Trabalho. A cobrança foi feita pela Auditora Fiscal do Trabalho Érika Medina, durante participação na Jornada de Direitos Humanos 2026, realizada na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial (CDHMIR) da Câmara dos Deputados. As demandas apresentadas na Jornada integrarão a pauta da Comissão em 2026.

“É fundamental a convocação imediata e integral dos aprovados no cadastro de reserva. A medida é essencial para fortalecer ações como o combate ao trabalho infantil e ao trabalho análogo à escravidão, além de garantir a efetividade da legislação trabalhista e a promoção da igualdade no mercado de trabalho”, disse Medina.

O presidente do SINAIT, Bob Machado, e a diretora da entidade Rosa Jorge estiveram na jornada durante a fala da Auditora. Os dirigentes sindicais estavam em trabalho parlamentar pela convocação do cadastro de reserva, visitando gabinetes e conversando com parlamentares.      

Embora Medina tenha reconhecido medidas recentes do governo para fortalecimento do serviço público, a exemplo da Inspeção do Trabalho, com a chegada dos 900 novos AFT, essa medida não foi suficiente para repor os quadros da Auditoria Fiscal do Trabalho, especialmente diante da dimensão territorial do país e da complexidade das violações enfrentadas. Hoje o Brasil tem mais de mil cargos vagos de Auditores Fiscais do Trabalho. “É um déficit elevado que compromete diretamente a capacidade do Estado de proteger direitos humanos no mundo do trabalho”, reforçou.

“É nossa atribuição constitucional combater a discriminação, o trabalho infantil, o trabalho análogo à escravidão e as fraudes trabalhistas e previdenciárias”, destacou. Segundo ela, essas violações atingem principalmente populações mais vulneráveis, como negros, mulheres, migrantes, pessoas com deficiência e comunidades tradicionais.

A representante do SINAIT ressaltou ainda que a garantia de uma vida digna passa pela promoção de condições justas de trabalho. “Sem igualdade de oportunidades e sem trabalho com dignidade para todos, a vida digna é só uma utopia. É preciso ação efetiva do Estado para que as desigualdades do mundo do trabalho sejam superadas”, disse.

Avanços e desafios

Medina também citou avanços recentes na área trabalhista, como iniciativas voltadas ao combate ao assédio moral e sexual, ampliação da licença-paternidade e promoção da igualdade salarial. Nesse contexto, destacou a importância da Lei 14.611, que trata da equidade salarial entre homens e mulheres.

Segundo a Auditora, a implementação da lei trouxe mais transparência às desigualdades. “O relatório de transparência salarial tornou visíveis desigualdades históricas relacionadas a gênero, raça, idade, escolaridade, deficiência, orientação sexual e origem social”, afirmou. Ela acrescentou que os dados confirmam uma realidade já conhecida pela Auditoria Fiscal: “A desigualdade no mercado de trabalho brasileiro ainda é profunda e estrutural.”

A Auditora Fiscal enfatizou que a efetividade das políticas públicas depende da presença do Estado nos locais onde há violação de direitos. “Não basta termos boas leis, nós precisamos de efetividade, e ela passa necessariamente pela atuação do Estado onde os direitos são violados”, disse.

“O SINAIT participa desta jornada com compromisso com a igualdade, com a justiça social e com a defesa dos direitos humanos no mundo do trabalho”, concluiu Érika Medina.

RELATED ARTICLES

Mais Vistos